Apenas 8,6% das mulheres recebem anestesia em parto normal no SUS, aponta estudo
Uma análise preliminar do inquérito Nascer no Brasil 2, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, indica que apenas 8,6% das mulheres em trabalho de parto vaginal no Sistema Único de Saúde recebem anestesia peridural. Na rede privada, o índice chega a 32%, enquanto a média nacional é de 11,6%. Os dados abrangem o período entre 2022 e 2025 e envolvem mais de 22 mil parturientes em 395 maternidades do país.
As informações ainda não foram publicadas oficialmente em relatório final, previsto para 2027. Os números foram divulgados de forma preliminar pela Folha de S.Paulo e integram a fase de consolidação da pesquisa (leia a reportagem completa aqui).
O levantamento evidencia desigualdades no acesso ao alívio da dor durante o parto e aponta diferenças estruturais entre o sistema público e o privado. Pesquisadores associam a baixa oferta de analgesia à naturalização da dor no parto e ao impacto indireto sobre as taxas de cesariana no Brasil.
Especialistas afirmam que a cesariana sem indicação clínica está associada a riscos aumentados para mães e bebês, incluindo maior probabilidade de complicações graves. A Organização Mundial da Saúde recomenda taxas entre 10% e 15%, enquanto o Brasil registra 47,6% no sistema público e 81,3% na rede privada.
Pesquisadores da Fiocruz destacam ainda que muitas mulheres chegam ao parto com informação limitada sobre métodos de analgesia e alternativas de alívio da dor. A baixa disponibilidade de anestesistas e a limitação de estrutura hospitalar são apontadas como fatores que restringem o acesso no SUS.
Em paralelo, iniciativas em andamento buscam ampliar a oferta de analgesia em maternidades públicas, incluindo um projeto-piloto conduzido em parceria com universidades e o Ministério da Saúde. A proposta prevê métodos controlados pela própria paciente, já utilizados em sistemas de saúde de outros países.
No Congresso Nacional, também tramita uma proposta que prevê a obrigatoriedade da oferta de anestesia quando solicitada pela gestante no SUS, reforçando o debate sobre a humanização do parto no país.
