Brasil tem aumento de casos de HIV enquanto mundo reduz infecções
O Brasil sediou, entre 26 e 30 de julho, a 26ª Conferência Internacional sobre AIDS (AIDS 2026), principal encontro mundial dedicado à resposta ao HIV. Realizado no Rio de Janeiro, o evento reuniu pessoas vivendo com HIV, pesquisadores, profissionais de saúde, gestores públicos, representantes da sociedade civil, organismos internacionais e financiadores para discutir os desafios e as prioridades no enfrentamento da epidemia.
Com o tema “Rethink. Rebuild. Rise.” (Repensar. Reconstruir. Avançar.), a conferência aconteceu em um contexto de preocupação com a sustentabilidade dos programas de HIV e a necessidade de fortalecer respostas nacionais baseadas em evidências, inovação, equidade e cooperação internacional. Entre as lideranças globais presentes estiveram o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, e o diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Jarbas Barbosa.
Durante o encontro, dados do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids) mostraram um contraste entre a tendência mundial e a situação brasileira. Enquanto o número de novas infecções por HIV caiu 42% desde 2010 no mundo, o Brasil está entre os 21 países que registraram aumento superior a 20% no mesmo período.
Segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, foram notificados 39,2 mil novos casos de HIV no país em 2024, alta de 21,9% em relação a uma década antes. Em 2025, até setembro, foram contabilizadas 29,4 mil novas infecções. A estimativa é de que cerca de 1,7 milhão de brasileiros vivam atualmente com HIV.
Apesar do crescimento, o país também apresenta avanços na prevenção e no tratamento. O número de pessoas que acessaram medicamentos de prevenção ao HIV pelo menos uma vez no último ano aumentou 41%. O Programa Brasil Saudável também alcançou duas metas consideradas necessárias para eliminar a AIDS como ameaça à saúde pública: o diagnóstico das pessoas vivendo com HIV e a supressão viral.
Outro marco foi alcançado em dezembro de 2025, quando a OPAS certificou o Brasil pela eliminação da transmissão vertical do HIV. O país se tornou o primeiro com mais de 100 milhões de habitantes a conquistar o reconhecimento.
No mundo, foram registradas 1,2 milhão de novas infecções por HIV em 2025, uma redução significativa em relação aos 2,1 milhões registrados 15 anos antes. O resultado representa o menor número de novas infecções desde o início da epidemia. Ainda assim, a redução está distante do necessário para alcançar a meta de eliminar a AIDS como ameaça à saúde pública até 2030. Para estar no caminho previsto pela Unaids, o mundo deveria registrar apenas 200 mil novas infecções por ano, cerca de um milhão a menos que o número atual.
A conferência também destacou a importância do acesso à informação científica para orientar políticas públicas. Nesse contexto, a Vitrine do Conhecimento HIV/AIDS, desenvolvida pela BIREME/OPAS/OMS no âmbito da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), reúne conteúdos científicos e técnicos sobre prevenção, diagnóstico, tratamento, vigilância, direitos humanos e outras dimensões da resposta ao HIV/AIDS. O recurso é voltado a profissionais de saúde, pesquisadores, gestores, estudantes e demais interessados em informações confiáveis e atualizadas sobre a epidemia.
