Novos dados: pandemia reduziu expectativa de vida dos brasileiros em 3,4 anos
A pandemia de covid-19 provocou uma queda significativa na expectativa de vida da população brasileira, que recuou 3,4 anos durante o período mais crítico da crise sanitária.
O dado faz parte de uma análise nacional do Estudo Global sobre Carga de Doenças, considerada a maior investigação internacional sobre o impacto de enfermidades e fatores de risco em mais de 200 países, publicada na revista científica The Lancet Regional Health – Americas.
Segundo o levantamento, esse recuo está associado ao aumento de 27,6% na mortalidade no país ao longo da pandemia. Os pesquisadores apontam que parte desse cenário pode ser explicada pelas estratégias adotadas pelo governo federal à época, incluindo a rejeição de medidas de distanciamento social, a divulgação de informações sem base científica, o incentivo a medicamentos sem eficácia comprovada e a demora na aquisição de vacinas.
O estudo também evidencia desigualdades regionais importantes. Os maiores impactos foram registrados na Região Norte, com destaque para Rondônia, Amazonas e Roraima, que apresentaram as maiores reduções na expectativa de vida. Já os menores recuos ocorreram no Nordeste, especialmente no Maranhão, Alagoas e Rio Grande do Norte. De acordo com a análise, esses resultados estão ligados à adoção mais rigorosa de medidas de contenção por parte de governos estaduais, que chegaram a articular ações conjuntas com apoio de comitês científicos independentes.
Os pesquisadores compararam ainda o desempenho brasileiro ao de outros países da América do Sul e de economias emergentes, indicando que o Brasil teve resultados mais negativos em alguns indicadores de mortalidade e vacinação em relação a países como Argentina, Uruguai, China e Índia. A falta de coordenação nacional no enfrentamento da crise é apontada como um dos fatores centrais para esse desempenho.
Apesar do impacto da pandemia, o estudo destaca que o Brasil registrou avanços importantes no longo prazo. Entre 1990 e 2023, a expectativa de vida no país aumentou mais de sete anos, acompanhando melhorias em áreas como saneamento básico, crescimento econômico e expansão das políticas públicas de saúde, com destaque para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde e das campanhas de vacinação.
Ainda assim, persistem desafios relevantes. O levantamento mostra que, embora a mortalidade de diversas doenças tenha caído nas últimas décadas, condições como demências e doença renal crônica registraram aumento. Em 2023, a principal causa de morte no Brasil foi a doença isquêmica do coração, seguida pelo AVC e pelas infecções respiratórias.
Em paralelo ao debate sobre os impactos da pandemia, foi sancionado o projeto de lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. A data será celebrada anualmente em 12 de março, em referência ao registro da primeira morte pela doença no Brasil. Segundo o texto, o objetivo é reconhecer o impacto da crise sanitária na vida dos brasileiros. O Ministério da Saúde contabilizou mais de 716 mil mortes por covid-19 no país até agosto de 2025.
