Nova NR-1 amplia proteção à saúde mental dos trabalhadores diante do aumento dos afastamentos
O crescimento dos casos de adoecimento mental relacionados ao trabalho colocou a proteção dos trabalhadores no centro do debate sobre segurança e saúde ocupacional. Um levantamento da empresa de educação corporativa Newnew aponta que 41% das pessoas em cargos de liderança consideram a saúde mental dos colaboradores o fator que mais gera pressão dentro das organizações.
Os dados da Previdência Social mostram o tamanho do problema: foram mais de 546 mil afastamentos de trabalhadores por transtornos mentais e comportamentais em 2025. O número representa um recorde histórico e um aumento de 15% em relação ao ano anterior. Entre os principais motivos estão casos associados à ansiedade, depressão e burnout.
A partir da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), as empresas passam a ter responsabilidade maior na prevenção de situações que podem prejudicar a saúde mental dos funcionários. A norma determina que os riscos psicossociais sejam incluídos no gerenciamento de riscos ocupacionais, reconhecendo que fatores ligados à organização do trabalho também podem provocar adoecimento.
Na prática, problemas como jornadas excessivas, metas abusivas, pressão constante, assédio moral ou sexual, conflitos no ambiente profissional e falta de autonomia passam a ser considerados elementos que precisam ser identificados e combatidos pelas empresas.
Antes tratados muitas vezes de forma indireta, principalmente em avaliações relacionadas à ergonomia, esses riscos agora devem constar no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), com medidas preventivas para reduzir impactos sobre os trabalhadores.
A fiscalização trabalhista também passa a observar com mais atenção as condições de organização do trabalho. Auditores-fiscais poderão verificar se as empresas identificaram os riscos psicossociais, se adotaram medidas de prevenção e se possuem ações para evitar situações que comprometam a saúde dos funcionários.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), mais de 840 mil pessoas morrem todos os anos no mundo em decorrência de problemas de saúde associados a riscos psicossociais no trabalho, como jornadas prolongadas, assédio e insegurança profissional.
Para os trabalhadores, a atualização representa o reconhecimento de que a saúde mental é parte integrante da segurança no ambiente profissional. A mudança amplia o respaldo para denúncias sobre condições prejudiciais, como cobranças excessivas, metas inalcançáveis, sobrecarga de tarefas e práticas de assédio.
Com a nova regulamentação, empresas passam a ser cobradas não apenas pelos acidentes tradicionais, mas também pela forma como organizam o trabalho e pelos impactos que essa estrutura pode causar na saúde física e mental dos seus funcionários.
