Enfermagem enfrenta violência no trabalho e ganha espaço em debate sobre o Farmácia Popular
No dia 10, tivemos o Dia da Enfermagem. Aproveitamos a data para falar de algumas novidades e questões que envolvem a categoria, entre elas a violência no ambiente de trabalho e a discussão sobre a utilização de prescrições de enfermeiros no Programa Farmácia Popular.
Uma sondagem realizada pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), entre 20 e 24 de julho, mostra que a violência continua sendo uma realidade frequente.
Dos 4.402 enfermeiros, técnicos e auxiliares de Enfermagem ouvidos, 72,6% disseram ter sofrido algum tipo de agressão no trabalho nos 12 meses anteriores à pesquisa.
Em 41,3% dos casos, os episódios ocorreram mais de uma vez, enquanto 15,5% relataram que a violência acontece com frequência.
A violência verbal foi a mais comum, mencionada por 89,2% das vítimas. Na sequência aparecem a violência psicológica, com 73,8%, e a física, com 19,2%.
Pacientes foram apontados como os principais autores, seguidos por familiares e acompanhantes.
Apesar de o índice ter recuado em relação a 2025, quando 80,3% relataram ter sofrido agressões, o levantamento indica que o problema permanece presente na rotina da categoria.
A pesquisa também chama atenção para a falta de apoio após os episódios. Apenas 27,7% afirmaram receber algum tipo de suporte no local de trabalho, enquanto 50,3% disseram não contar com esse atendimento.
A subnotificação é outro problema: somente 30,1% das vítimas formalizaram denúncia. Entre os motivos para não denunciar aparecem a sensação de impunidade, citada por 59,5%, a falta de apoio institucional, por 54,5%, e o medo de perder o emprego, mencionado por 42,7%.
No âmbito nacional, em comemoração ao Dia da Enfermagem, representantes do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e do Ministério da Saúde se reuniram em Brasília para discutir a possibilidade de prescrições feitas por enfermeiros serem aceitas pelo Programa Farmácia Popular do Brasil.
A proposta pretende adequar os procedimentos do programa às competências previstas na legislação e facilitar a continuidade de tratamentos iniciados na Atenção Primária à Saúde.
A Lei nº 7.498/1986, que regulamenta o exercício da Enfermagem, prevê a prescrição de medicamentos dentro de programas de saúde pública e de rotinas aprovadas pelas instituições.
A discussão considera situações em que o medicamento prescrito não esteja disponível na unidade de saúde.
Nesses casos, a possibilidade de utilização da prescrição no Farmácia Popular poderia evitar que o paciente precisasse interromper ou adiar o tratamento para conseguir o medicamento.
O encontro também tratou de questões técnicas, jurídicas e operacionais. Ainda não há uma mudança definida nos procedimentos do programa.
O debate entre o Cofen e o Ministério da Saúde deverá servir de base para avaliar uma possível adequação dos fluxos do Farmácia Popular.
