Mercado de medicamentos para obesidade e diabetes dobra de tamanho no Brasil
O mercado brasileiro de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, utilizados no tratamento do diabetes e da obesidade, mais que dobrou de tamanho em um ano. Dados da consultoria Close-Up International mostram que as vendas da categoria somaram R$ 13,49 bilhões nos 12 meses encerrados em fevereiro de 2026, ante R$ 6,47 bilhões no mesmo período anterior, um crescimento de 105,9%.
O avanço transformou os chamados medicamentos emagrecedores na principal força de expansão do varejo farmacêutico. Em cinco anos, a categoria acumulou crescimento composto de 50,2% e passou a representar 5,4% do faturamento total das farmácias brasileiras, quase o dobro da participação registrada em fevereiro de 2025.
Apesar da explosão da demanda, o mercado ainda alcança uma parcela reduzida da população. Dos cerca de 140 milhões de brasileiros adultos, estima-se que 68% convivam com sobrepeso ou obesidade. No entanto, o volume atual de vendas atenderia, no máximo, cerca de 1 milhão de pacientes. A expectativa do setor é que a chegada de versões genéricas, após o fim da patente do Ozempic, contribua para ampliar o acesso e reduzir os preços dos tratamentos.
O crescimento acelerado também levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a reforçar a fiscalização sobre a importação e manipulação desses medicamentos. Segundo a agência, apenas no segundo semestre de 2025 foram importados 130 quilos de insumos farmacêuticos ativos destinados à manipulação, quantidade suficiente para produzir cerca de 25 milhões de doses, volume considerado incompatível com a demanda do mercado nacional.
Em 2026, a Anvisa realizou 11 inspeções em farmácias de manipulação e empresas importadoras, resultando na interdição de oito estabelecimentos por falhas técnicas e problemas de controle de qualidade. A agência também relata aumento de eventos adversos e preocupação com o uso dos medicamentos para finalidades não previstas em bula. Desde janeiro, dez medidas de proibição de importação, comércio e uso de produtos irregulares contendo semaglutida e tirzepatida já foram publicadas.
O fenômeno brasileiro acompanha uma tendência global. Relatório da Deloitte mostra que os medicamentos para obesidade e diabetes se tornaram o principal motor de crescimento da indústria farmacêutica, superando a oncologia pela primeira vez em 16 anos como a área mais valiosa nos estágios avançados de desenvolvimento. Atualmente, terapias voltadas para obesidade e diabetes respondem por cerca de 38% das receitas futuras projetadas pelas grandes farmacêuticas.
O sucesso desses medicamentos, contudo, também levanta questionamentos sobre a crescente concentração de investimentos em poucos produtos capazes de gerar receitas bilionárias.
