Planos de saúde têm lucro recorde em 2025
O setor de saúde suplementar no Brasil encerrou 2025 com um lucro líquido recorde de R$24,4 bilhões, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O resultado foi impulsionado principalmente pelo aumento das mensalidades e pelo forte desempenho financeiro em um cenário de juros elevados.
Ao todo, as operadoras registraram receitas de R$ 391,6 bilhões no período. A margem de lucro ficou em 6,2%, o que significa que, a cada R$ 100 arrecadados, cerca de R$ 6,20 se converteram em lucro, o melhor resultado da série histórica em termos nominais. O desempenho foi puxado sobretudo pelas operadoras médico-hospitalares, que concentraram R$ 23,4 bilhões do lucro total.
A melhora no resultado também foi disseminada pelo setor. Cerca de 73,5% das operadoras fecharam o ano no azul, um aumento de 3,7 pontos percentuais em relação a 2024. Apesar disso, os ganhos seguem concentrados, já que três das maiores empresas responderam por 49% de todo o lucro reportado à ANS.
Um dos principais fatores para o avanço foi a queda da sinistralidade, indicador que mede a parcela da receita destinada às despesas assistenciais. Em 2025, o índice recuou para 81,7%, o menor patamar desde 2020. Na prática, isso indica que uma fatia menor das receitas foi consumida por custos médicos, movimento associado à recomposição das mensalidades, que cresceram acima das despesas assistenciais.
O cenário de juros elevados também teve impacto relevante. As aplicações financeiras das operadoras geraram R$ 14,7 bilhões adicionais, reforçando o resultado final do setor e contribuindo para o lucro recorde.
Nem todos os segmentos acompanharam esse desempenho. Os planos de autogestão, em que empresas administram a assistência à saúde dos próprios funcionários, registraram prejuízo de R$ 3,1 bilhões e foram a única modalidade com resultado negativo.
Os dados também indicam mudanças estruturais no mercado. A oferta de planos individuais e familiares segue em retração, com aumento da concentração e menor disponibilidade para os consumidores. Em sentido oposto, os planos coletivos empresariais apresentam expansão da concorrência, com mais opções disponíveis para as empresas contratantes.
Confira aqui os dados na íntegra divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar.
